Vilar de Mouros, antes foi liberdade

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Vem aí o Festival de Vilar de Mouros, em 2014. É o festival de música mais antigo de Portugal mas há a considerar prolongadas interrupções. Vai voltar e deseja-se que aconteça todos os anos, sem interrupções. Oxalá (linda palavra de origem árabe) que consigam proporcionar aos que participarem o sabor do primeiro festival, ocorrido em plena época do fascismo, com uma guerra colonial a decorrer, com os portugueses paupérrimos e tacanhos quanto bastasse cumprindo a vontade do obscurantismo do regime ditatorial da época. Um pouco da história: “Em 8 de  Agosto de 1971, por altura das comemorações do IX centenário da doação de Vilar de Mouros à Sé de Tui, foi realizado um festival de música com um formato até então impensável para a época, existindo porém plena liberdade de expressão entre todos aqueles que participaram no Festival de Vilar de Mouros de 1971, o que leva a ser considerado pela crítica nacional e internacional como o Woodstock português. Entre as 30.000 pessoas que assistiram ao festival encontravam-se muitos hippies oriundos de vários pontos da Europa. Na sua edição original, o Festival de Vilar de Mouros foi organizado por António Augusto Barge e apresentou um alinhamento musical variado, cobrindo as áreas de música tradicional, fado, pop e rock.” Na entrada da Wikipédia. Vilar de Mouros foi uma lufada de ar fresco para a sociedade portuguesa de então, principalmente para a juventude. Comparável à “Cornélia” na RTP, com Raul Solnado, Carlos Cruz e Fialho Gouveia. Também aí se ensaiava respirar resistência e liberdade com um pé a forçar o caminho para os degraus da democracia. Que chegaria em Abril de 1974. A mesma democracia que agora em Portugal está a definhar às ordens de Cavaco Silva, dos partidos e do governo que protege e com que se conluia. Vilar de Mouros, então, há dezenas de anos, não foi pautado por alienação mas sim por um nicho de democracia e de liberdade – apesar dos bufos da PIDE que por lá se passeavam. Este Vilar de Mouros que volta não será o mesmo mas pode vir a ser muito melhor se cumprir a tradição. No início, antes, foi liberdade.

Graça Pádua

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