Angola, Cocó, Ranheta e Machete

Sem título

Antes em Portugal prevalecia o dito “Cocó, Ranheta e Facada – os três da vida airada”. Mudou. Tudo muda em Portugal… para pior. Atualmente é “Cocó, Ranheta e Machete – os três que aturamos com frete”. Frete porque é um grande frete este triste filme de cordel em que Rui Machete, ministro dos negócios estrangeiros, diz que faz o que não deve – em entrevista na Rádio Nacional de Angola – e demonstra que é absolutamente “natural e democrático” não existir separação de poderes entre os vários orgãos de soberania, no caso governo e justiça. Isso é o que normalmente acontece em Angola. Quem manda é o rei Eduardo dos Santos. Não sabiamos ao certo (apesar de suspeitarmos) que tal acontece em Portugal. Mas Rui Machete disse-o explicitamente. E até pediu desculpa aos angolanos por em Portugal a justiça andar a “incomodar” aqueles que os roubam e investem em Portugal dinheiro sujo. A que angolanos é que Machete terá pedido desculpa? Aos que são roubados? Certamente que não. Portanto pediu desculpa aos que roubam, que comem e que até atiram santolas para o lixo. Que são ricos por obra e graça do espírito santo larápio. Mas Angola fica para lá do equador. Longe. Assunto arrumado. Agora em Portugal Machete tem de dar contas sobre as suas declarações: “Porque até falei com a Procuradora Geral da República, Joana Marques Vidal, e o que por lá existe é coisa de somenos importância que vai dar nada, pelo que os larápios que investem em Portugal (e noutros países) podem ficar descansados e continuar a roubar os angolanos e a investir todo o dinheiro sujo em Portugal”. Pronto. O ministro falou com a Joana e a justiça enfiou a viola no saco e não irá mais incomodar os larápios dos dinheiros sujos. Machete não disse exatamente assim mas para bom entendedor… Agora os partidos da oposição querem (e bem) que Machete se demita porque não respeita a separação de poderes, tão importante em democracia. Hoje, surge o Ranheta, que é primeiro-ministro, e diz que Machete não é para se demitir nem para ser demitido porque usou palavras infelizes mas daí não existe mal que justifique a demissão e que quanto a Angola só espera que tudo continue pelo melhor. O que dá para perceber, simplificando, que podem continuar a roubar os angolanos e investirem em Portugal. Que se lixem as eleições em Angola, que se lixe a fome e miséria, os crimes do regime ditatorial eduardino. Venha de lá o produto dos roubos e pronto. A oposição em Portugal já pediu a Cavaco Silva reparo sobre a urgência de demissão de Machete. O Cocó, que é um muito mau presidente da república, nem disse água vai nem água vem. Ou por outra: disse mas não disse. Disse mas não se percebeu o que disse sobre o assunto. Isto, se é que disse algo inteligível. É que o Cocó padece de diarreia mental e de verborreia compulsiva, para além de ter visões completamente estapafúrdias (fruto de tanto trabalhar a tramar os outros). Como é o caso de ver vacas a rir, a senhora de Fátima das finanças, referir-se aos cidadões que não existem em Portugal e que ignora – porque o que existem são cidadãos. Até muito provavelmente vê capitões no exército e refere-se-lhes quando conversa com o sovina do ministro da defesa. Certo é que no exército de Portugal não existem capitões mas sim capitães. Em Portugal não existem cidadões, as vacas não riem. A senhora de Fátima é uma santa e não quer nada com Cocós do tipo de Cavaco Silva porque uma santa só pode ver nele o diabo. E pronto. Sobre o Machete (em vez do Facada), sobre o Ranheta e sobre o Cocó, está quase tudo dito. Machete continua ministro, Cocó e Ranheta também matêm os poleiros, os angolanos vão continuar a ser roubados e o dinheiro sujo vai continuar a fruir em Portugal para cair nas mãos dos compadres do costume. Eduardo dos Santos ri e deve estar por esta hora a pensar que afinal estava enganado acerca de Portugal e desta democracia porque, pensando melhor, ela é cada vez mais parecida com a democracia imposta em Angola com o slogan “Fome e Porrada Não Vão Faltar”. E já agora, senhor dos Santos, os Cocós daqui estão cada vez mais parecidos consigo, assim como o PSD está cada vez mais parecido com o MPLA.

Manuel Tiago

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