O que tem de acontecer tem muita força

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Antes foi o medo que tomou posse dos ancilosados salazaristas que em 25 de abril de 1974 viram ruir a ditadura cadáver que os alimentava. Abutres insaciáveis. Compraram um cão. Aliás, vários cães. Amestrados, como convinha. Chamavam-se Alpoim Calvão, Ramiro Moreira, António Spínola e mais uns quantos. Tudo cães grandes ou assim-assim. De dente arreganhado, rosnantes. Raivosos contra a revolução, contra a liberdade, contra a democracia, contra a Constituição que entretanto tinha sido aprovada por representantes do povo numa Assembleia Constituinte pautada por uma vasta maioria de esquerda, incluindo o Partido Socialista. Os mastins, obedientes às vozes dos donos tudo faziam para regressar ao “antigamente”. Donos salazaristas, fascistas. Chapalimauds, Melos, Espiritos Santos, Bulhosas e mais uns quatro ou cinco. Essas eram as famílias donas de Portugal, de Salazar, dos políticos fascistas e colaboracionistas de então. Mudaram-se os tempos, mudaram-se as vontades, como deixa entender a canção. Nessa época muito ouvida nas rádios imbuidas de fervores democráticos e revolucionários. Era a vontade do povo. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, agora. É a vontade de alguns, de uma minoria que tem vindo a labutar para o regresso ao “antigamente” enchendo a boca de palavras mentirosas, dizendo-se democratas e defensores da justiça, da liberdade. Mas atacando sistemáticamente a Constituição da República – que já foi revista, em muito, a favor das famílias que agora são donas dos políticos, dos partidos, das seitas e máfias que estão a sequestrar Portugal e os portugueses. Como se não bastasse, essas famílias, nacionais, abriram o leque a famílias de outras nacionalidades num jogo de toma-lá-dá-cá-pra-mim. É o nepotismo e a corrupção. Assente naquilo que devia ser a Assembleia da República mas que é assembleia dos lobies, das negociatas confessadas e por confessar, das leis feitas à medida de intrujices presentes e futuras. Paulo Morais diz claro que assim acontece e os denunciados nem se dão ao trabalho de desmentir ou de querer defender o “bom nome”. Nem o têm. Quem cala consente. Consente porque é verdade o denunciado. Todos vimos. Uns mais que outros. As máfias partidárias reunem-se em parlamento e depois dizem que estão na Casa da Democracia, vulgo Parlamento, vulgo Assembleia da República. Da República? Qual? A República dos mentirosos e corruptos apontados ainda ontem por Vasco Lourenço, coronel, capitão de abril. Triste. Triste e revoltado foi como se viu e vê aquele Vasco ao falar do seu país (que se queria democrático). Deram título no Expresso: “Vasco Lourenço inconformado com “país sequestrado pelo medo“. Triste. Tristes e revoltados, mas contidos – é como se vê os portugueses que habitam no desemprego, na miséria, na fome, na injustiça, para que os banqueiros e as famílias nacionais e estrangeiras, donos(as) dos partidos do “arco do poder” continuem o esbulho do povo e do país enquanto conseguem. Sim, porque um dia destes os portugueses deixarão de ser contidos e um novo abril poderá acontecer em qualquer dia, em qualquer noite, em qualquer semana, em qualquer mês. Presume-se e teme-se que violento. Em vez de cravos serão exibidos cardos ou conjuntos de piteiras. Depois é que vão ser elas, as contas justas e injustas que acontecerão – como acontece sempre nos ajustes de contas com aqueles que se julgam com poderes ditatorias a coberto de “engenharias democráticas” baseadas em sistemáticas mentiras e golpes palacianos. Os abutres voltaram e estão a dominar Portugal, são os mesmos e ainda mais uns quantos que se lhes juntaram dizendo que “estão a ajudar Portugal”. Estão? Não se dá por nada disso. Antes pelo contrário. Por isso disse Vasco Lourenço, ontem, pesaroso e indignado: “Porque não sonharmos que poderemos, hoje e aqui, voltarmos a dinamitar uma situação que parece inexpugnável?” – interrogou-se o capitão de Abril. Disse à Lusa, no Expresso. E mais: O militar disse estar inconformado por Portugal se ter tornado “num protetorado de forças estrangeiras” [numa alusão à ‘troika’] e estar a ser dirigido por pessoas que “tudo espezinham para manterem lugar à mesa dos poderosos”. Pois sim. O que tem de acontecer tem muita força, não é coronel? Não é, portugueses miserabilizados por uma súcia de abutres e compinchas instalados nos partidos do “arco da governação”? Querem ver que ainda vem lá borrasca e o medo vai mudar de sítio? Limpinho.

Otávio Arneiro

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